PF NOVA

Prêmio Ford de Conservação Ambiental

A 13ª edição do Prêmio Ford de Conservação Ambiental apresenta os vencedores de 2008. Este ano o Prêmio Ford de Conservação Ambiental recebeu 138 inscrições nas 5 categorias: Conquista Individual; Negócios em Conservação, Ciência e Formação de Recursos Humanos, Meio Ambiente nas Escolas e Fornecedor. Todos os setores da sociedade estiveram representados nas 22 instituições governamentais, 23 empresas, 16 entidades da sociedade civil organizada. Além disso, 44 indivíduos concorreram como pessoas físicas. Já na categoria Fornecedor, 33 empresas efetivaram suas inscrições.

Os membros do júri analisaram todas as propostas e candidatos seguindo os critérios de replicabilidade, inovação, criatividade, consistência dos resultados e repercussão para a conservação do meio ambiente, assim como para a melhoria da qualidade de vida das populações atingidas.

Foram deliberadas as seguintes premiações:

• CONQUISTA INDIVIDUAL

Mary Helena Allegretti

Mary Helena Allegretti venceu na categoria Conquista Individual pelo valioso serviço que presta há anos para a melhoria na qualidade de vida de algumas comunidades da Amazônia.  A antropóloga e consultora contribuiu significativamente para a questão social na agenda ambiental e para a formulação de políticas públicas de proteção a sociedade que valoriza as florestas. Sua trajetória no tema da conservação iniciou-se em 1980, quando conheceu Chico Mendes e desenvolveu um projeto que tinha como objetivo alfabetizar os seringueiros da região do Acre, intitulado Projeto Seringueiro. Paralelo a escola foi criada também uma organização não-governamental chamada CTA – Centro dos Trabalhadores da Amazônia, que tinha como função capacitar pessoas que seriam os monitores da escola. Em 1984, quando atuava na Associação Brasileira de Antropologia e no programa de Tancredo Neves para a questão indígena, propôs um encontro, em Brasília, com os seringueiros para debater assuntos relativos a Amazônia e discutir alternativas para reforma agrária. A partir deste encontro foi criada a idéia das Reservas Extrativistas – RESEX, inspiradas nas reservas Indígenas, e também o Conselho Nacional dos Seringueiros, que representaria os moradores da floresta e viabilizariam o conceito da nova categoria de Unidade de Conservação. Em 1986, em Curitiba, sua cidade natal, criou o Instituto de Estudos Amazônicos que serviria para dar suporte técnico às RESEX, divulgar a Amazônia e fazer um elo entre o Conselho Nacional dos Seringueiros e a sociedade. No ano de 1999, assumiu a Secretaria de Coordenação da Amazônia, onde amparou iniciativas de uso sustentável da floresta, instituiu a agenda positiva da Amazônia, envolvendo setores públicos e privados. Em 2000, José Sarney criou as quatro primeiras áreas de proteção e assinou um Decreto para a regularização fundiária, com fins sociais e ambientais, criando assim, um novo paradigma para a conservação e para a relação sociedade e governo. Uma vitória, reflexo do trabalho de Allegretti, que influenciou positivamente a construção de novas áreas de proteção de uso sustentado.  Atualmente, existem 80 unidades, que cobrem uma área total de 4,4% da Amazônia Legal. Devido à repercussão de seus esforços na área sócio-ambiental, em 2006 decidiu aproveitar toda a sua experiência, criando uma empresa de consultoria e um blog que aborda questões críticas de políticas públicas e projetos inovadores de desenvolvimento sustentável.

As razões que deram o prêmio a Mary Helena Allegretti são múltiplas. Primeiro, pelo reconhecimento, experiência e o fomento a criação das Reservas Extrativistas, juntamente com Chico Mendes que transformou a relação dos seringueiros e populações tradicionais com a terra. Segundo, por ser pioneira no atual modelo de proposição da RESEX e por continuar desenvolvendo diversos projetos sócio-ambientais com empresas do setor privado. Além disso, lidera a participação da sociedade para a construção da agenda positiva da Amazônia, envolvendo diversos públicos em torno de alternativas sustentáveis contra o desmatamento. Mesmo após a morte de Chico Mendes, continuou articulando o crescimento da gestão dos trabalhos da Amazônia e de políticas públicas, e por fim, devido à propriedade do seu trabalho que foi a alicerce para muitas ações do movimento ambientalista.

• NEGÓCIOS EM CONSERVAÇÃO

Restauração Florestal e Aproveitamento Econômico
Laboratório de Ecologia e Restauração Florestal LERF/LCB/ESALQ/USP
 
Na categoria Negócios em Conservação o grande vencedor foi o projeto Restauração Florestal e Aproveitamento Econômico do Laboratório de Ecologia e Restauração Florestal LERF/LCB/ESALQ/USP.  O objetivo deste trabalho é restaurar florestas nativas de Mata Atlântica, em áreas rurais que foram ocupadas por atividades agrícolas e em outras iniciativas de conservação com o propósito de recuperar e conservar a biodiversidade regional. Assim, espera-se um retorno econômico aliado a baixa exploração de espécies florestais em áreas pré-definidas para a averbação dos 20% de Reserva Legal, de obrigatoriedade garantida por lei, em propriedades onde não exista o cumprimento da legislação ambiental. Para atingir os objetivos de restauração do projeto foi elaborado um modelo de plantio adequado para cada espécie, das linhas de sucessão, denominados: Madeira Inicial - para espécies de rápido crescimento e vida curta, Madeira Média - para espécies intermediárias de crescimento e retorno econômico e Madeira Final - constituído por espécies de crescimento lento e ciclo de vida longa. Além disso, o programa que está planejado para um período de 85 anos pós-plantio da área coberta, podendo se estender indefinidamente, prevê para uma melhor conservação das áreas restauradas a retirada máxima de 25% com a floresta implantada e 50% no caso das áreas agrícolas.  Atualmente, o programa já é desenvolvido em uma propriedade particular, na cidade de Campinas, São Paulo, com 112 hectares implantados.

A conquista nesta categoria, segundo a avaliação dos jurados, resultou devido a uma série de fatores, entre eles: a amplitude do trabalho que atua tanto em áreas de Reserva Legal como em áreas de baixa aptidão agrícola. Desenvolvimento de um serviço ambiental futuro de manejo florestal, restaurando a biodiversidade local e aferindo o retorno econômico, tudo isso, com uma metodologia inovadora, podendo ser replicado em diversos setores da sociedade e utilizando uma tecnologia de baixo custo. Além disso, o programa que incrementa uma melhor produtividade, através de procedimentos adequados, ainda atua na geração de empregos, renda e capacitação para os restauradores envolvidos no trabalho.

• CIÊNCIA E FORMAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS

Instituto Terra

O vencedor na categoria Ciência e Formação de Recursos Humanos foi o Instituto Terra de Aimorés - MG, com o projeto “Centro Avançado para Recuperação Ambiental e Desenvolvimento Rural Sustentável”. Criado em 2005, em Aimorés, na região do Vale do Rio Doce, o programa forma um novo profissional com práticas e consciência sócio-ambientais, que atuará como Técnico Agro-Ambiental (Nível Técnico) e auxiliará os agricultores familiares. O aprendizado é realizado em dois anos e é feito sob regime de residência, onde são repassados procedimentos de reflorestamento, técnicas ambientais e produção rural agroécologica, através de aulas, palestras e seminários ministrados pelos coordenadores do Centro Avançado do Instituto Terra e por pesquisadores ligados a universidades e outras instituições. Assim, o profissional estará apto para ser um multiplicador de um modelo de manejo para a recuperação ambiental a ser aplicado em propriedades e comunidades rurais, onde o projeto está inserido, nas regiões da Mata Atlântica. O objetivo é que o Técnico Agro-Ambiental crie uma melhor qualidade de vida para as populações rurais e contribua para o desenvolvimento sustentável da região.

Os membros do júri elegeram o projeto do Instituto Terra como vencedor nesta categoria pelo envolvimento com a comunidade e, sobretudo, pela proposta responsável de tornar o conhecimento científico, acessível a pessoas do campo que muitas vezes não tem acesso ao estudo formal.  Outro destaque tem relação com a implantação deste projeto em uma área carente de conhecimento qualificado, com as ações propostas a realidade da paisagem local pode ser modificada, uma vez que houve uma melhor gestão das propriedades que contribuirão para a implementação de corredores ecológicos na Mata Atlântica. E ainda, reverte um dado cultural, já que muitos jovens da região não têm muitas perspectivas educacionais e profissionais e vêem neste projeto uma possibilidade de melhoria na qualidade de vida que associa o conhecimento de produção rural, capaz de conciliar produtividade e recuperação ambiental, através de conhecimentos das práticas ecológicas e do desenvolvimento sustentável de uma das regiões mais importantes de Mata Atlântica ao aumento da renda familiar.

• MEIO AMBIENTE NAS ESCOLAS

Escola Municipal de Ensino Fundamental 25 de Julho

A Escola Municipal de Ensino Fundamental 25 de Julho, em Campo Bom, no Rio Grande do Sul, foi o vitorioso com o projeto “Conhecendo os Banhados”, na categoria Meio Ambiente nas Escolas. O propósito deste trabalho é difundir para a comunidade local a importância da conservação do meio ambiente, em especial, em áreas de banhados. O banhado faz parte do ecossistema gaúcho e têm como papel garantir a sobrevivência do seu meio ambiente vizinho, normalmente as lagoas. Ele age como uma esponja, quando há seca, fornecendo água para as lagoas e, quando há cheia, retém a água para continuar o ciclo. Criado em 2005, o projeto trabalha com mais de 600 alunos de educação infantil, Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais - APAE do ensino fundamental, Curso de Educação de Jovens e Adultos - EJA e a comunidade em geral. Os participantes são orientados a preservar os banhados, que sofrem com os entulhos jogados pela população, destruindo toda a sua riqueza de fauna e flora. O trabalho é desenvolvido por meio de aulas teóricas e práticas, com material didático desenvolvido pela coordenação do programa, pesquisas e visitas de campo que ensinam a não desperdiçar água. Também orientam quanto ao destino correto do lixo orgânico, confecção de sabão com óleo de cozinha usado, produção de papel reciclado, confecção de jogos de sensibilização, organização de jardins e plantio de árvores. Está última ação, inclusive, foi uma estratégia adotada para a recuperação do banhado, através da criação de uma área verde. Os alunos plantaram diversas mudas de flores, ipês e pitangas e aproveitaram à ocasião para produzirem placas de sinalização para a área. Desde a sua fundação mais de 10 mil pessoas já participaram das atividades do projeto.

A comissão julgadora avaliou que o projeto “Conhecendo os Banhados” da Escola Municipal de Ensino Fundamental 25 de Julho mereceu a vitória devido à metodologia sócio-participativa criado para ele, a recuperação efetiva de uma área natural que vem se degradando pelo desconhecimento sobre sua importância. Além disso, trabalho teve também como objetivo formar agentes multiplicadores e envolver diversos setores e públicos da comunidade. De acordo com o júri, a preocupação com um material didático específico e a efetiva participação dos alunos em atividades complementares, fora do turno escolar, fortaleceu o projeto. Dando destaque para o fato de que a escola fosse o núcleo articulador do projeto, conseguindo despertar nas pessoas a importância de uma área pouco conhecida e valorizada, apesar da sua alta biodiversidade que quando não é cuidada, pode causar problemas de saúde pública, se tornando foco doenças, devido ao desequilibro ambiental.

• FORNECEDOR

Magneti Marelli Sistemas Automotivos Ind. E Com. Ltda

As ações em prol do meio ambiente adotadas em suas instalações fabris e o investimento em pesquisa e desenvolvimento de tecnologias ambientalmente corretas deram o prêmio à Magneti Marelli. Um dos exemplos é o desenvolvimento de três tecnologias – SFS (Software Flexfuel Sensor), ECS (Ethanol Cold System) e o novo bico injetor PICO ECO – para a criação de uma nova geração de motores flexíveis que deve chegar ao mercado a partir de 2009. O Flex 3rd Generation possibilita a redução de até 5% do consumo de combustível, diminuindo a emissão de CO2 na mesma proporção, e de hidrocarbonetos em 15%, contribuindo assim para a preservação do meio ambiente. Já no processo produtivo o destaque é o sistema de gerenciamento denominado World Class Manufacturing. Informatizado, ele permite redução dos custos por meio de uma metodologia que identifica as perdas visíveis e invisíveis no processo. Além disso, sua unidade fabril em Hortolândia possui captação da água da chuva para uso industrial. Essa água é reutilizada para consumo em sanitários. Existe, ainda, um sistema de iluminação natural e plantio de árvores ao redor do complexo industrial. Estas ações geram, por exemplo, redução de 15% no consumo de energia e diminuição de 20% no consumo de água.

Já na categoria ‘Fornecedor’, 33 empresas participaram do concurso preenchendo um questionário sobre práticas e políticas ambientais. Os três finalistas que obtiveram as maiores pontuações receberam visita técnica de um consultor para apuração dos dados e confirmação do vencedor.

Mensagem do Júri:

Os membros do júri parabenizam a todos os participantes da 13ª edição do Prêmio Ford de Conservação Ambiental por suas valiosas contribuições à conservação da biodiversidade do planeta. Em algumas categorias a competição foi acirrada, com excelentes projetos selecionados para a análise e os debates finais. Esperamos que os vencedores representem bem e contribuam para a valorização das 138 iniciativas inscritas. Desejamos que sirvam de exemplo e fonte de inspiração para projetos e iniciativas ambientais por parte de novos investidores públicos e privados, e também da sociedade civil.

Premio Ford -  Vencedores 2008

Vencedores 13º Prêmio Ford

Av. Getúlio Vargas, 1300 – 7º andar – Belo Horizonte . MG . Brasil

CEP 30112-021 – Tel.: [31] 3261.3889

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