Muriqui, Mata Atlântica

Andy Young

Juruva

Haroldo Palo Jr.

RPPN Feliciano Miguel Abdala

No dia 3 de setembro de 2001, a Estação Biológica de Caratinga e a Fazenda Montes Claros foram transformadas pelo Ibama em Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Feliciano Miguel Abdala. A criação dessa RPPN recebeu apoio técnico e financeiro da CI-Brasil, em parceria com a Associação Pró-Estação Biológica de Caratinga e a Fundação Biodiversitas.

Com área total de 957 hectares e a 391 km de Belo Horizonte, a RPPN Feliciano Miguel Abdala surgiu do ideal de seu fundador, que desde 1976 vinha usando sua fazenda  como laboratório natural para a preservação de espécies.

Durante varias décadas, Abdala foi questionado por seus vizinhos – eles diziam que o uso da fazenda para a pesquisa científica e a proteção de espécies nada mais era do que um desperdício de terra boa para o cultivo.A região é hoje um dos últimos refúgios do macaco muriqui ou mono-carvoeiro (Brachyteles hypoxanthus), o maior primata das Américas. Em razão da caça indiscriminada, a espécie estava reduzida a aproximadamente 10 indivíduos na floresta da fazenda, mas, graças a Abdala e às pesquisas realizadas em suas terras, a população de muriquis foi estabilizada – o número de mortes já não ultrapassa o de nascimentos – e conta com 150 animais, ou seja, 50% da população total da espécie.

De acordo com dados da CI-Brasil, da Fundação Margot Marsh e da Comissão de Sobrevivência de Espécies da União Mundial para a Natureza (UICN), o muriqui está entre as 25 espécies mais ameaçadas no mundo.A Estação Biológica de Caratinga foi criada em meados da década de 80 para colocar aquele pedaço importante de Mata Atlântica à disposição da comunidade científica.

Nos últimos 25 anos, a mata da fazenda transformou-se em uma das áreas mais bem estudadas do Brasil. A parceria entre a Fundação Biodiversitas e a Associação Pró-Estação Biológica de Caratinga rendeu mais de 50 estudos e projetos que trouxeram conhecimento sobre a Mata Atlântica e a ecologia de primatas ameaçados de extinção. Entre essas pesquisas, uma das mais importantes trata do comportamento do muriqui e é coordenada pela bióloga Karen Strier, da Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos.Além do muriqui, vivem na RPPN outros três importantes primatas: o sagüi-da-serra ou sagüi-taquara (Callithrix flaviceps), considerado um dos mais ameaçados dessa família; o barbado ou bugio (Alouatta guariba), que está em situação vulnerável; e em maior abundância, o macaco-prego (Cebus nigritus).

A variedade da fauna local inclui 217 espécies de aves, 77 de mamíferos e 30 de anfíbios. A flora é igualmente rica e a mata está cheia de jacarandás, ipês, embaúbas, jequitibás, sapucaias e palmeiras, além de bromélias, uma particularidade desse bioma.

Palmeira, Mata Atlântica

Haroldo Palo Jr.

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