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Cristiano Nogueira

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Ricardo Machado

Áreas–chave para a biodiversidade

Como parte de uma estratégia global para a identificação de prioridades de atuação amparada em critérios transparentes e replicáveis, a Conservação Internacional (CI-Brasil) tem trabalhado para a identificação de áreas–chave para a conservação da biodiversidade (KBA, na sigla em inglês) nos seis biomas brasileiros.

As áreas-chave para a conservação, ou KBAs, são delineadas a partir da presença confirmada de espécies globalmente ameaçadas, espécies de distribuição restrita (cuja área total de ocorrência é inferior a 50 mil km²) ou espécies congregantes, que se reúnem sazonalmente em localidades específicas, para reprodução ou alimentação. Isto faz com que elas sejam prioridades globais para direcionar os esforços de conservação, sendo consideradas fundamentais para a proteção da biodiversidade. Neste sentido, as KBAs inserem-se em um contexto amplo de planejamento da paisagem, que envolve estratégias de adequação do uso do solo e  a recuperação florestal.

A definição das KBAs influencia todas as ações de conservação da CI- Brasil e elas formam, assim, os núcleos dos corredores de biodiversidade. A partir delas são estruturadas outras iniciativas de conservação, integrando ações na escala local com prioridades regionais e globais.

O processo de identificação, delimitação e priorização das áreas-chave para a conservação tem como objetivo final subsidiar mecanismos inter-governamentais - como a Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) - e governos locais para o planejamento de um sistema representativo de áreas protegidas dentro dos Hotspots de Biodiversidade e das Grandes Regiões Naturais. Estes conceitos têm guiado investimentos para a conservação na escala global. As áreas-chave para a conservação possibilitam, ainda, apontar, dentro destas extensas regiões, locais específicos como remanescentes, ou o conjunto destes, e bacias hidrográficas, onde a conservação deve ser priorizada e transformada em ação concreta.

As KBAs podem também subsidiar iniciativas de planejamento do setor privado, principalmente no que se refere à expansão da fronteira agrícola e às obras de infra-estrutura. Por fim, a detecção destas áreas pode gerar oportunidades de melhoria das condições de vida das populações locais. Elas têm o potencial de atrair para a região projetos de desenvolvimento sustentável, ecoturismo e mobilização social, ressaltando a importância da conservação loca como um componente crucial dentro de um sistema global de conservação. Neste contexto, as KBAs estão sendo identificadas e delimitadas em diferentes partes do planeta.

No Brasil, a Conservação Internacional e seus parceiros têm reunido dados detalhados de ocorrência de espécies em todas as regiões do país. Até o momento, já foram identificadas 773 KBAs de acordo com registros de espécies de vertebrados terrestres, incluindo 423 áreas-chave também baseadas em dados de espécies de peixes de água doce.

Como a conservação dos ambientes aquáticos e das espécies que neles ocorrem depende diretamente da conservação dos hábitats terrestres circunvizinhos, o desenho de KBAs considera os limites de áreas de captação de água ou microbacias definidas com base no mapa das bacias hidrográficas brasileiras. As exceções ocorrem no caso de sítios identificados a partir de registros de espécies dentro de limites de áreas protegidas como parques nacionais e terras indígenas. Em regiões onde há dados mais precisos de fragmentação e remanescentes florestais, o delineamento das áreas leva em consideração a conectividade entre os fragmentos.

Em um país de megadiversidade como o Brasil, que abriga dois hotspots globais para a conservação – Cerrado e Mata Atlântica – e uma grande região natural como a Amazônia, o esforço para a identificação e o delineamento das KBAs representa, ao mesmo tempo, um grande desafio e um passo fundamental para a conservação. Identificar áreas-chave em ambientes extremamente ricos que abrangem desde savanas de alto endemismo até florestas de elevada biodiversidade, fragmentadas ou contínuas, requer uma visão integrada e que ao mesmo tempo considere as particularidades biológicas e de conservação de cada ecossistema.

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