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Primatas à Beira da Extinção

Novo estudo sobre as 25 espécies de primatas mais ameaçadas mostra que parentes mais próximos do homem vivem sob risco de extinção em todo o mundo

Antananarivo, Madagascar, 07 de abril de 2005

Os parentes vivos mais próximos da espécie humana – chimpanzés, gorilas, micos, sagüis, lêmures e outros primatas ao redor do mundo – enfrentam crescentes ameaças à sua sobrevivência e alguns poderão desaparecer para sempre. O alerta consta do relatório divulgado hoje em Madagascar pelo Grupo de Especialistas em Primatas da União Mundial para a Natureza (IUCN) e pela Sociedade Internacional de Primatologia (IPS), em colaboração com a Conservação Internacional (CI).

Primatas em Perigo: Os 25 Primatas Mais Ameaçados do Mundo – 2004/2006 revela que 25 por cento, ou uma em quatro, das 625 espécies e sub-espécies de primatas estão sob risco de extinção. O estudo, compilado por mais de 50 especialistas de 16 países, aponta o desmatamento, o comércio de carne de caça e o tráfico de animais como as principais ameaças, e alerta para o fato de que, se não houver uma resposta ágil, teremos as primeiras extinções de primatas em mais de um século.

Primatas nos Hotspots - Todos os 25 primatas da lista são encontrados nos chamados hotspots mundiais de biodiversidade – 34 regiões, identificadas pela Conservação Internacional, que abrigam mais de 50% de toda a diversidade de espécies de plantas e animais terrestres em uma área que cobre apenas 2,3% da superfície do planeta. Oito hotspots são considerados de alta prioridade para a sobrevivência dos primatas mais ameaçados de extinção: Indo-Birmânia, Madagascar e Ilhas do Oceano Índico, Sunda (Indonésia, Malásia, e Brunei), Florestas de Afromontane (África Oriental), Florestas Costeiras da África Oriental, Florestas da Guiné (África Ocidental), Mata Atlântica (Brasil) e Ghats Ocidentais (Índia e Sri Lanka).

“Cada vez mais, os parentes vivos mais próximos da espécie humana na escala evolutiva estão sendo confinados a fragmentos diminutos nas florestas tropicais”, declara Russell A. Mittermeier – presidente da Conservação Internacional e do Grupo de Especialistas em Primatas da IUCN. “Está clara a relação entre a progressiva perda de hábitat que infelizmente seguimos observando nos hotspots e a situação crítica dos primatas que o relatório denuncia. É especialmente grave o quadro em Madagascar, um dos hotspots que perdeu grande parte de sua cobertura florestal original, e onde mais da metade dos lêmures exclusivos da região está sob ameaça de extinção. Sem medidas imediatas para proteger essas criaturas únicas e seu hábitat, nós perderemos uma parcela importante da herança natural do planeta”.

Na condição de espécies-bandeira e de nossos parentes mais próximos na escala evolutiva, os primatas são fundamentais para a saúde dos ecossistemas onde vivem. Por meio da dispersão de sementes e outras interações com o ambiente, eles ajudam na manutenção de uma extensa rede de vida animal e vegetal nas florestas.

Relatórios de monitoramento - A lista dos 25 primatas mais ameaçados do mundo, compilada durante o 20º Congresso da IPS em Turim, na Itália, segue relatórios similares feitos em 2000 e 2002. Quinze espécies da nova lista são reincidentes em todos os relatórios, sendo que, dentre elas, estão o Muriqui do Norte do Brasil e o Orangotango de Sumatra, na Indonésia. Sete espécies aparecem pela primeira vez na lista 2004/2006 e três já haviam figurado apenas uma vez.

Madagascar e Vietnã têm, cada um, quatro primatas na nova lista, enquanto o Brasil e a Indonésia têm três, seguidos pelo Sri Lanka e Tanzânia que têm duas espécies cada. Com apenas uma espécie na lista figuram Colômbia, China, Camarões, Costa do Marfim, Guinéa Equatorial, Gana, Kênia, Nigéria, Ruanda, Uganda e República Democrática do Congo. Algumas espécies da lista são encontradas em mais de um país. O relatório inclui dez espécies da Ásia, sete da África, quatro de Madagascar e quatro da América do Sul, mostrando que ameaças a pequenos e grandes macacos, lêmures e outros primatas não-humanos existem onde quer que eles vivam.

A perda de hábitat causada pelo desmatamento de florestas para agricultura e a extração de madeira em larga escala continua a ser a causa principal da redução do número de primatas, de acordo com o relatório. A caça, tanto para subsistência quanto para fins comerciais, também é uma ameaça grave, especialmente na África e Ásia. A captura de indivíduos para o mercado de animais de estimação é outro fator que contribui para esse quadro, particularmente no caso de espécies asiáticas.

Espécies brasileiras – A lista inclui três espécies do Brasil: o Mico-leão-da-cara-preta (Leontopithecus caissara), o Macaco-prego-do-peito-amarelo (Cebus xanthosternos) e o Muriqui do Norte (Brachyteles hypoxanthus), também conhecido como Mono-Carvoeiro.

No Brasil, a Mata Atlântica é o bioma que abriga a maior diversidade de primatas. Os hábitats dessas espécies sofrem também por pressão causada por atividades agrícolas e extrativistas e, no caso do Macaco-prego-do-peito-amarelo, a caça constitui ameaça constante. O país tem ao todo 24 espécies e, segundo dados do IBAMA, 15 estão ameaçadas de extinção.

O macaco-prego-de-peito-amarelo e o muriqui são espécies endêmicas da Mata Atlântica e tiveram seus territórios naturais drasticamente reduzidos. Originalmente encontrado nas florestas da Bahia e extremo norte de Minas Gerais, o Macaco-prego-de-peito-amarelo tem hoje na Reserva Biológica de Una, na Bahia, seu maior refúgio com uma população de apenas 185 indivíduos.

Maior primata das Américas e uma das espécies de macacos mais carismáticas do mundo, o muriqui-do-norte ocorre em Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro e, originalmente, também na Bahia. Sua população total conhecida está estimada entre 700 e mil indivíduos divididos em grupos reduzidos e dispersos. Sua maior população conhecida – 225 indivíduos – está confinada aos 890 hectares de floresta da Reserva Particular do Patrimônio Natural Feliciano Miguel Abdala, em Caratinga, Minas Gerais. Pesquisas iniciadas recentemente apontam indícios de populações expressivas em Santa Maria de Jetibá (ES), no Parque Estadual do Rio Doce (MG) e no Parque Nacional do Caparaó (divisa do Espírito Santo com Minas Gerais).

Com hábitat restrito a restingas e florestas inundadas na costa, o mico-leão-de-cara-preta tem uma população total de 400 indivíduos vivendo em menos de 300 km2 remanescentes de seu território original. Sua população mais representativa, 180 indivíduos, encontra-se na ilha de Superagüi (11.000 hectares) no Parque Nacional do Superagüi, localizado no estado do Paraná.

A Lista dos 25 Primatas Mais Ameaçados no Mundo e países de ocorrência

1) Lêmur-gentil (Prolemur simus) / Madagascar

2) Lêmur-de-colar-branco (Eulemur albocollaris) / Madagascar

3) Sifaka-de-Perrier (Propithecus perrieri) / Madagascar

4) Sifaka-sedoso (Propithecus candidus) / Madagascar

5) Gorila-das-montanhas (Gorilla beringei) / República Democrática do Congo, Ruanda, Uganda

6) Gorila-de-Diehl (Gorilla gorilla diehli) / Nigéria, Camarões

7) Gálago-do-Monte-Rungwe (forma não descrita do gênero Galagoides) / Tanzânia

8) Colobo-vermelho-do-Rio-Tana (Procolobus rufomitratus) / Quênia

9) Mangabei-da-nuca-branca (Cercocebus atys lunulatus) / Gana, Costa do Marfim

10) Mangabei-de-Sanje (Cercocebus sanjei) / Tanzânia

11) Colobu-vermelho-de-Pennant (Procolobus pennantii pennantii) / Guiné Equatorial (Ilha de Bioko)

12) Mico-leão-de-cara-preta (Leontopithecus caissara) / Brasil

13) Macaco-prego-de-peito-amarelo (Cebus xanthosternos) / Brasil

14) Muriqui-do-norte (Brachyteles hypoxanthus) / Brasil

15) Macaco-aranha-castanho (Ateles hybridus brunneus) / Colômbia

16) Lloris-esbelto (Loris lydekkerianus nycticeboides) /Sri Lanka

17) Langur-de-Hose (Presbytis hosei canicrus) / Indonésia (Kalimantan)

18) Langur-da-cara-de-porco  (Simias concolor) / Indonésia (Ilhas Mentawai)

19) Langur-de-dorso-negro (Trachypithecus delacouri) / Vietnã

20) Langur-de-cabeça-dourada (Trachypithecus poliocephalus poliocephalus) / Vietnã

21) Langur-de-cara-vermelha (Semnopithecus vetulus nestor) / Sri Lanka

22) Langur-da-canela-cinza (Pygathrix nemaeus cinerea) / Vietnã

23) Langur-de-nariz-arrebitado (Rhinopithecus avunculus) / Vietnã

24) Gibão-de-hainan (Nomascus nasutus hainanus) / China (Ilha Hainan)

25) Orangotango-de-Sumatra (Pongo abelii) / Indonésia (Sumatra)

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A Conservação Internacional (CI) foi fundada em 1987 com o objetivo de conservar o patrimônio natural do planeta - nossa biodiversidade global - e demonstrar que as sociedades humanas são capazes de viver em harmonia com a natureza. Como uma organização não-governamental global, a CI atua em mais de 40 países, em quatro continentes. A organização utiliza uma variedade de ferramentas científicas, econômicas e de conscientização ambiental, além de estratégias que ajudam na identificação de alternativas que não prejudiquem o meio ambiente. A Conservação Internacional tem sede em Belo Horizonte-MG. Outros escritórios estão estrategicamente localizados em Brasília-DF, Belém-PA, Campo Grande-MS e Caravelas-BA. Para mais informações sobre os programas da CI no Brasil, visite <www.conservacao.org>

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Imagens e Relatório completo estão disponíveis na Conservação Internacional

Rua Tenente Renato César, 78 – Cidade Jardim – CEP 30380-110

Belo Horizonte – MG – Brasil – Tel.: [31] 3261.3889

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