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Cooperação no Rio abre caminho para ação transformadora

Leia o posicionamento da Conservação Internacional a respeito da Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável – a RIO+20

Rio de Janeiro, 25 de junho de 2012

Com o término da Rio+20, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a delegação da Conservação Internacional deixa o Rio de Janeiro com expectativas muito positivas em relação ao futuro do planeta e das pessoas que nele habitam.

Apesar de muitos participantes da conferência terem chegado ao Rio com expectativas modestas em relação às metas e acordos que seriam obtidos nesta Conferência, a Rio+20 foi capaz de cumprir com seu propósito tanto nas mesas de negociações entre as delegações oficiais dos países quanto nos mais de 6 mil eventos paralelos que aconteceram de 13 a 22 de junho.

De grande importância foi o reconhecimento, pela primeira vez, tanto pelos governos quanto pelo setor de negócios, da importância do capital natural (biodiversidade e serviços ecossistêmicos) como um elemento essencial para o desenvolvimento sustentável, a saúde dos ecossistemas e o bem-estar humano. Essa foi uma extraordinária mudança transformadora de pensamento, já que coloca a questão ambiental, antes relegada a uma posição secundária, no centro das discussões sobre as estratégias futuras de desenvolvimento.

A Rio+20 também será lembrada como o momento no qual dez países africanos, unidos sob a Declaração de Gabarone, emergiram como líderes globais para dar os primeiros passos rumo à reparação de uma trajetória de desenvolvimento que tem sido até hoje equivocada.

Essas dez nações africanas foram seguidas por outros 49 países, tanto desenvolvidos quanto em desenvolvimento, que coletivamente afirmaram a importância do capital natural para o desenvolvimento, apoiando, junto com outros mais de cem parceiros públicos, privados e da sociedade civil, o Comunicado do Banco Mundial sobre Capital Natural.

Além disso, no Rio, o papel e protagonismo do setor de negócios e da sociedade civil também se tornaram mais centrais, com o mundo corporativo assumindo uma liderança jamais vista anteriormente. Também único nesta conferência foi o papel assumido pelas ONGs, que não se contentaram com uma posição de meras observadoras, mas foram ativas participantes na definição da agenda do desenvolvimento.

Finalmente, o termo economia verde foi assumido pela ONU, não como um entrave para o desenvolvimento ou como alternativa ao bem-estar social e econômico, mas sim como um dos pilares fundamentais para a futura riqueza das nações, das próximas gerações e da vida na Terra.

Também de enorme importância foi o fato de que, pela primeira vez em uma conferência deste porte, os eventos paralelos (estimados em cerca de 6 mil) se transformaram praticamente no evento principal, graças aos grandes avanços obtidos desde a Rio 92 pelas redes sociais para ampliar os impactos das ideias advindas da sociedade civil. Os resultados que não estão expressamente redigidos nos parágrafos do documento final da conferência foram obtidos, de várias formas, por meio desses eventos paralelos, que multiplicarão no futuro a capacidade de gerar ação para a obtenção de um novo modelo de desenvolvimento sustentável.

Por inúmeras vezes líderes globais reafirmaram a importância do capital natural (biodiversidade e serviços ecossistêmicos) como elemento central do desenvolvimento sustentável, e o fato de que os países participantes da Conferência se comprometeram a implementar um sistema de contabilidade desse capital natural foi uma grande conquista que deverá ser considerada histórica nos próximos anos. Agora é o momento de tratar de temas como subsídios perversos e a contabilidade das externalidades ambientais das atividades econômicas, bem como de começar a contabilizar os custos ambientais e sociais nos balanços das grandes empresas. 

O papel das áreas de proteção também emergiu da Rio+20 revitalizado, em especial no caso das áreas de proteção marinhas, onde o progresso nos anos passados vinha ocorrendo de forma demasiadamente lenta. Kiribati e as Ilhas Cook, no Pacífico, ameaçados pelo aquecimento global e o aumento do nível dos oceanos, anunciaram a criação de áreas de proteção de 410 mil km2 e 1 milhão de km2 respectivamente durante a Rio+20– dando visibilidade ao papel dos pequenos estados insulares como importantes nações oceânicas, de cujos serviços ecossistêmicos todo o mundo depende.

A Austrália, um líder nesse campo de longa data, aumentou sua área de proteção marinha de 800 mil km2 para 3,1 milhão de km2, mostrando que o avanço do lado azul da economia verde também foi pavimentado pela Rio+20, que possibilitou o aumento da discussão e o avanço para a conservação dos oceanos.

Como sempre, as diversas vozes da sociedade civil, tanto contrárias quanto favoráveis, puderam se expressar, mais do que nunca, graças à nova ordem social obtida nos últimos anos. Sua demanda por ação e pela adoção de compromissos é vital e necessária.

A Rio+20 será vista no futuro como o momento no qual a comunidade global – em uma grande coletividade – escolheu irromper as amarras do desejo de um acordo político perfeito que impediria o avanço da ação, e reconheceu que os acordos feitos na Rio 92 sobre clima, biodiversidade e erradicação da pobreza precisam ser implementados com ações urgentes, com a utilização de novas ferramentas e a reafirmação de que a natureza é um ingrediente essencial para o desenvolvimento, se este se propõe a ser verdadeiramente sustentável no longo prazo

Na Rio+20, os líderes mundiais prepararam o caminho para adotarmos o novo modelo de desenvolvimento que precisamos seguir de agora em diante. O documento final da conferência, O Futuro que Queremos, traça o pano de fundo para uma ação coletiva, urgente e efetiva. Agora depende de todos começar o trabalho para a construção desse novo futuro que nós, o planeta e nossas crianças precisam.

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