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Raoni pede proteção para florestas na Rio+20

Cacique pediu respeito aos povos indígenas do Brasil durante o seminário que discutiu o Fundo Kayapo na Rio+20

Rio de Janeiro, 15 de junho de 2012

“Toda essa natureza que está aqui, essas florestas, esses morros, tudo isso já foi nosso, por isso quero falar pra o mundo para terem respeito com os índios, que somos nós que cuidamos das florestas”, afirmou, de maneira forte, o cacique Raoni do povo Kayapo, durante o Seminário Fundo Kayapó que aconteceu na última quinta-feira, (14/06) dentro da programação da Conferência Rio+20. Acompanhado do líder Megaron e outros representantes dos Kayapós, Raoni pediu apoio para a manutenção das terras e da tradição de seu povo. O apelo aconteceu durante o seminário que discutiu o primeiro mecanismo financeiro criado exclusivamente para o financiamento de longo prazo de projetos em cinco terras indígenas Kayapó, na região do sudeste amazônico. 

Representantes da Conservação Internacional (CI-Brasil), do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) estiveram presentes para apresentar os detalhes da criação e operacionalização do novo fundo. Foi exibido também um documentário do cineasta Todd Southgate sobre o trabalho da CI-Brasil com a etnia, disponível no canal CIBrasil do Youtube.

O Fundo Kayapó foi criado com um aporte inicial de US$ 14,4 milhões, sendo metade desse valor doada pela Fundação Gordon & Betty Moore, via o Fundo de Conservação Global (GCF, da sigla em inglês), da Conservação Internacional, e sua contrapartida doada pelo Fundo Amazônia, via BNDES.
O Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO) será o gestor dos recursos do fundo, que serão destinados a apoiar projetos de organizações indígenas voltados para o controle e monitoramento de terras Kayapó, para o desenvolvimento de atividades econômicas sustentáveis e para atividades de gestão, custeio e manutenção das organizações indígenas. 
Os projetos, que deverão começar a receber verbas a partir do segundo semestre de 2013, beneficiarão aproximadamente 7 mil pessoas que vivem em um dos maiores blocos de floresta tropical contínua protegida do mundo, e que atualmente se encontra ameaçada por conta da expansão da fronteira agrícola e de atividades ilegais como extração de madeira e garimpo.
O Fundo Kayapó também estará aberto a novas doações de terceiros, e o Fundo Amazônia aportará montantes equivalentes a cada nova doação, até o limite de R$ 9,1 milhões, constituindo-se assim num mecanismo de financiamento de longo prazo que vai ajudar a conservar uma área de 10,6 milhões de hectares (cerca de 106 mil quilômetros quadrados), aproximadamente 3% da área da Amazônia, ou o equivalente ao território da Guatemala ou da Islândia.
"Esta é uma realização possível graças a uma combinação única de parceiros: um banco de desenvolvimento, uma organização de conservação e uma comunidade indígena. Os Kayapó são merecedores de tal fundo, pela sua longa luta pelos seus direitos e por terem um nível de coesão, compromisso e envolvimento político incomparável ", afirma Fabio Scarano  Vice Presidente para as Américas da Conservação Internacional. "Felizmente, isso vai servir de modelo para esforços similares em outras partes do mundo. Estamos muito orgulhosos do nosso papel para a criação deste fundo e de nossa parceria com os Kayapó nos últimos 20 anos, incluindo, entre muitas outras coisas, a participação do chefe Megaron Txucarramãe em nosso Conselho de Administração”, conclui Scarano.
Os territórios Kayapó são ricos em biodiversidade e fazem fronteira com o chamado "arco do desmatamento" - a linha de frente da destruição da floresta, em direção ao norte, do sul e sudeste da Amazônia, onde cerca de 80 % do desmatamento está concentrado. Esta fronteira é caracterizada por violentos conflitos pela terra e pela maior taxa de desmatamento no Brasil. Além disso, as Terras Kayapó fazem fronteira a oeste com a rodovia BR-163, outra frente de conflitos e desmatamento.
"É bom que os recursos irão para projetos administrados pelos povos indígenas para gerar renda para os Kayapó. Este fundo é uma oportunidade para o nosso povo aprender a trabalhar e a ganhar a vida. O dinheiro também deve ser utilizado para supervisionar a terra Kayapó, no Rio Xingu, e os limites de terras indígenas. Precisamos monitorar a área para conter as invasões e incêndios", explica Megaron Txucarramãe, líder dos Kayapó e membro do conselho da Conservação Internacional.
“O Funbio tem experiência em gerir fundos patrimoniais e em administrar recursos para projetos no campo, mas o Fundo Kayapó é nossa primeira oportunidade de trabalhar com este tipo de recurso para terras indígenas. Além disso, a área coberta pelo Fundo Kayapó é contígua a outras áreas apoiadas pelo Funbio por meio de outros projetos – Arpa e Projeto Terra do Meio – que somadas chegam a quase 20 milhões de hectares de área contígua de conservação”, diz Fabio Leite, Gestor da Área de Programas do Funbio. 
Sobre os Kayapó 
Os Kayapó são um grupo indígena brasileiro que habitam regiões de floresta amazônica e cerrado nos estados do Pará e Mato Grosso, com terras distribuídas por toda a bacia do rio Xingu. Sua população atual é de aproximadamente 7 mil pessoas, espalhadas em 23 aldeias, que variam em tamanho de 60 para quase 1.000 pessoas. As terras indígenas Kayapó garantem a proteção de cerca de metade da área da bacia do Xingu, que representam uma grande área de floresta intacta. Cinco dessas terras indígenas (Bau, Kayapó, Menkragnoti, Badjônkôre e Capoto Jarina) serão beneficiados pelo Fundo Kayapó.
Com recursos financeiros limitados e uma população relativamente pequena, o povo Kayapó vêm lutando para proteger as fronteiras de seus territórios contra as pressões crescentes de invasão ilegal de fazendeiros, madeireiros, garimpeiros e pescadores. Parte dos recursos do fundo serão destinados a aumentar a capacidade de monitoramento e fiscalização contra esse tipo de extração ilegal de recursos no futuro.
 Ao melhorar o monitoramente da sua terra, os recursos devem ajudar os Kayapó a lidar com o aumento da pressão da migração de novos moradores durante a construção da hidrelétrica de Belo Monte, acima no rio Xingu.
Sobre o trabalho da Conservação Internacional com os Kayapó
Desde 1992, a Conservação Internacional tem apoiado os esforços Kayapó para proteger sua cultura e habitats, fornecendo alternativas econômicas ao desmatamento e fortalecendo a capacidade de vigilância territorial. O desenvolvimento de alternativas econômicas enfoca os abundantes produtos não-madeireiros que são encontrados nas florestas Kayapó e que podem ser colhidos facilmente pelas comunidades. Por exemplo, a coleta de castanhas já fazia parte da vida de muitas comunidades Kayapó. Hoje esta atividade tradicional tem sido expandida para fornecer uma fonte de renda para algumas comunidades, que a colhem, transportam e processam os frutos. A produção de produtos refinados a partir desta matéria-prima é tecnicamente simples e se encaixa dentro da capacidade atual de empreendimento das comunidades Kayapó. A produção de mel, óleo de copaíba e artesanato são outras atividades desenvolvidas pelos Kayapó apoiadas pela CI-Brasil.
 
CONSERVAÇÃO INTERNACIONAL
A Conservação Internacional (CI) é uma organização privada, sem fins lucrativos, fundada em 1987 com o objetivo de promover o bem-estar humano fortalecendo a sociedade no cuidado responsável e sustentável para com a natureza – nossa biodiversidade global -, amparada em uma base sólida de ciência, parcerias e experiências de campo. Como uma organização não governamental (ONG) global, a CI atua em mais de 40 países, distribuídos por quatro continentes. Em 1988, iniciou seus primeiros projetos no Brasil e, em 1990, se estabeleceu como uma ONG nacional. Está abrindo nova sede no Rio de Janeiro e possui escritórios em Belo Horizonte-MG, Brasília-DF, Belém-PA  e Caravelas-BA. Para mais informações sobre a CI, visite www.conservacao.org e  www.conservation.org, ou nas nossas redes sociais @CIBrasil e Facebook - Conservação Internacional (CI-Brasil)
FUNBIO – FUNDO BRASILEIRO PARA A BIODIVERSIDADE
O Fundo Brasileiro para a Biodiversidade - Funbio é uma associação civil sem fins lucrativos que mobiliza recursos e oferece serviços em prol da conservação da biodiversidade tais como: desenho e gestão de mecanismos financeiros; seleção e gerenciamento de projetos; compras e contratações para projetos ambientais; mecanismos e estudos sobre mudanças climáticas e energia limpa e articulação de atores em redes nacionais e internacionais.Para mais informações sobre o Funbio, visite www.funbio.org.br 
FUNDO AMAZÔNIA 
Criado por decreto do Presidente da República, em 1º de agosto de 2008, o Fundo Amazônia tornou-se, desde então, relevante instrumento no apoio a iniciativas da sociedade brasileira para a preservação do Bioma Amazônia e de redução das emissões de gases de efeito estufa, resultantes do desmatamento e da degradação das florestas. O fundo apoia investimentos na preservação da floresta, de inovação tecnológica com objetivos de sustentabilidade, de desenvolvimento de atividades sustentáveis e no fortalecimento das instituições regionais com o objetivo de torná-las mais eficientes na fiscalização do meio ambiente na Região Amazônica. 

Rua Tenente Renato César, 78 – Cidade Jardim – CEP 30380-110

Belo Horizonte – MG – Brasil – Tel.: [31] 3261.3889

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