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CI participa de expedição de plantio mecanizado de florestas

Artur Paiva, coordenador de serviços ambientais da CI-Brasil, representou a instituição durante viagem às cabeceiras do rio Xingu

Brasília, 25 de outubro de 2011

A 2ª Expedição de Restauração Florestal nas Cabeceiras do Xingu, realizada entre os dias 3 e 8 de outubro, foi uma jornada de seis dias onde técnicos, pesquisadores, representantes de instituições públicas e de ONGs percorreram, aproximadamente, 1,3 mil km entre os municípios de Canarana, Querência e São José do Xingu, em Mato Grosso, para conhecer o conjunto de técnicas e arranjos institucionais aplicados e trabalhados pela equipe do Instituto Socioambiental (ISA) na restauração de áreas degradadas na Bacia do Xingu. O Coordenador de Serviços Ambientais da Conservação internacional (CI-Brasil), Artur Paiva, participou da expedição como representante da instituição.

O encontro contribuiu para o aprimoramento do trabalho desenvolvido na pela Campanha Y Ikatu Xingu região ao longo de seis anos. Nesse tempo, mais de dois mil hectares foram restaurados na beira da BR-158, uma região que sofreu forte desmatamento devido à abertura da estrada.

A expedição visitou, no total, sete propriedades: a fazenda São Roque, a fazenda Simoni, o Projeto de Assentamento Suiá, em Canarana; a fazenda Schneider, em Querência; o Projeto de Assentamento Brasil Novo e a fazenda BangBang, em São José do Xingu.

“Essa expedição contou com um público ímpar de ‘restauradores’ que estão enfrentando os desafios de recuperar áreas na prática, inovando e lidando com os diferentes gargalos que o tema apresenta, e contou com estudiosos da ecologia da restauração, além de representantes de instituições públicas”, relata Natalia Guerin, bióloga e técnica do ISA, responsável pelo encontro que reuniu 28 participantes, de 24 instituições diferentes, espalhadas por oito estados brasileiros.

Durante a expedição, os participantes puderam ver a evolução da vegetação com a utilização da técnica de semeadura direta – uma técnica que planta sementes diretamente no solo ao invés de produzir a muda em viveiro e depois levar para o campo, e acompanharam um plantio, realizado no Projeto de Assentamento Suiá, o primeiro de Canarana, com 80 lotes. A equipe do ISA mostrou o preparo da ‘muvuca’ – mistura de sementes – e o plantio mecanizado utilizando o vincón, uma lançadeira de adubo.

Os participantes sugeriram que o encontro virasse periódico e itinerante, possibilitando que todas os representantes das instituições envolvidas em restauração se encontrem para conhecer as técnicas de recuperação de áreas degradadas em diferentes biomas.

Em entrevista ao site da CI-Brasil, Artur Paiva fala sobre os locais que passou e os procedimentos que viu, além de apresentar futuras perspectivas de aplicação desse tipo de prática na região do oeste baiano.

  • Você passou por vários lugares. Qual deles você achou mais interessante?

Foi a fazenda Simoni de Teresinha Goldoni. Napropriedade, há um dos primeiros plantios com a técnica da muvuca, sendo que uma faixa foi feita manualmente  e outra, mais larga, de maneira mecanizada com máquina agrícola. A restauração ocorreu numa Área de Preservação Permanente (APP) ao redor de uma lagoa represada do córrego Marimbondo. O resultado foi impressionante, pois além das árvores terem sido plantadas por sementes há cerca de cinco anos e, algumas, já terem alcançado de 7 a 8 metros de altura, foi mantida uma considerável diversidade de espécies no local.

 

  • Na sua opinião, qual procedimento agregou mais conhecimento?

O procedimento da mistura do coquetel de sementes, ou seja, como se deve preparar a ‘muvuca’. É necessário calcular a quantidade certa de sementes e a proporção de sementes de cada espécie - 48 no total durante a prática que fizemos em campo. Além disso, é preciso calcular a quantidade de areia. Em seguida, todo o conteúdo da mistura é colocado no vincón, um tipo de máquina acoplada ao trator.

 

  • Qual a importância da CI-Brasil estar envolvida em expedições como essa?

Pretendemos replicar a técnica na região do cerrado do oeste baiano. Lá, existe uma oportunidade de realizar o plantio mecanizado de florestas uma vez que se trata de uma região importante do agronegócio com muitas propriedades que possuem o maquinário necessário para aderir à técnica. A técnica de semeadura direta apresenta custo muito mais baixo do que a produção de mudas e a técnica pode ser incorporado à CI-Brasil para que esta possa repassar aos seus parceiros e apoiá-los em projetos de restauração florestal.

 

  • Alguma história interessante durante a expedição?

Havia um senhor, que vive com a família no Projeto de Assentamento Brasil Novo, na zona rural de Querência. Além de ser um ótimo anfitrião, ele se formou como coletor e elo da rede de sementes do Xingu e viu uma oportunidade de renda muito boa com a coleta e comercialização das sementes, repassando para assentados e familiares. As APPs em sua propriedade foram replantadas em 2009 e se encontram em processo avançado de recuperação. Foi uma experiência muito tocante perceber que um pequeno produtor, dentro de suas limitações técnicas, relatou como ele enxerga a restauração da mata no seu quintal. Por último, esse senhor mostrou com orgulho aos participantes da expedição como sua terra é produtiva sustentando diversas atividades tais como sistema agroflorestais, viveiro, canavial, produção de cachaça, doces, farinha etc.

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