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Concurso elege espécies-símbolo

O pássaro pintor-verdadeiro e a arara-canindé foram escolhidos para representar o programa Produzir e Conservar nos corredores de biodiversidade da Mata Atlântica do Nordeste e do Cerrado no oeste baiano, respectivamente

Brasília, 03 de maio de 2011

Quase 1.500 pessoas que vivem nos corredores de biodiversidade da Mata Atlântica do Nordeste e do Cerrado no Oeste baiano se engajaram no concurso cultural para a escolha de espécies-símbolo para o programa Produzir e Conservar.

O programa, uma iniciativa da Conservação Internacional (CI-Brasil), com o apoio de parceiros locais e da Monsanto, atua nos corredores Nordeste de Biodiversidade e Jalapão-Oeste da Bahia, no Cerrado. Ambos os corredores se encontram ameaçados pelo avanço da fronteira agrícola e pela expansão de áreas urbanas. No âmbito do programa destacam-se ações de conservação de biodiversidade e de engajamento da população local. O concurso da espécie-símbolo faz parte dessa estratégia, que busca levar conhecimento sobre a biodiversidade local aos moradores da região, além de promover educação ambiental e mobilizar as pessoas em prol da natureza.

A escolha do pássaro pintor-verdadeiro como espécie-símbolo do programa na Mata Atlântica do Nordeste foi realizada por meio de uma votação pela Internet, organizada em parceria com as ONGs Associação para a Proteção da Mata Atlântica do Nordeste (AMANE) e Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (CEPAN). Os internautas moradores das áreas de Mata Atlântica do corredor do Nordeste, que compreende os estados de Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte, puderam escolher entre três espécies criticamente ameaçadas de extinção: o macaco-prego-galego (Cebus flavius); o pintor-verdadeiro (Tangara fastuosa) e o limpa-folha-do-nordeste (Philydor novaesi).

Os três animais foram previamente escolhidos pela equipe de especialistas em biodiversidade das organizações realizadoras do concurso. A votação, que durou quatro meses, recebeu um total de 894 votos, sendo que o macaco-prego-galego recebeu 303 votos e o limpa-folha-do-nordeste obteve 91 votos. O pintor-verdadeiro foi o mais votado, com 500 votos.

“A ideia do concurso foi despertar um sentimento de orgulho nas pessoas através do conhecimento das espécies que só existem na Mata Atlântica do Nordeste”, comenta Dorinha Melo, diretora da AMANE.

Para Severino Rodrigo, diretor de Projetos do CEPAN, a Floresta Atlântica ao norte do rio São Francisco só tem a ganhar com essa iniciativa.  “Sua importância será mais lembrada através da escolha de uma dessas espécies-símbolo, as quais possuem cada uma sua importância biológica ímpar para esse bioma, principalmente devido ao alto grau de ameaça que essa floresta vem sofrendo ao longo dos séculos”, comenta.

“A escolha da espécie-símbolo por concurso para os biomas onde atuamos foi fundamental para reforçar o engajamento das populações locais e equipes das entidades envolvidas. Essa integração é a base para a perenidade do Programa Produzir e Conservar”, destaca Gabriela Burian, gerente de Sustentabilidade da Monsanto.

A Mata Atlântica do Nordeste é uma das regiões mais críticas do bioma e ao mesmo tempo ainda apresenta várias espécies endêmicas, ou seja, não encontradas em nenhuma outra parte do planeta. Essa porção de mata, localizada acima do rio São Francisco, é considerada uma área prioritária para conservação da biodiversidade e para prevenir o desaparecimento de numerosas espécies, incluindo o macaco-prego-galego, o pintor-verdadeiro e o limpa-folha-do-nordeste. A região necessita de ações urgentes de conservação.

Cerrado do oeste baiano – No corredor de biodiversidade Jalapão-Oeste da Bahia , que compreende uma área de 9,6 milhões de hectares de Cerrado distribuídos por 38 municípios, a votação foi realizada por meio de uma exposição fotográfica itinerante, que passou por sete cidades (seis delas na Bahia, incluindo a capital, Salvador).  Em quatro dessas cidades (Barreiras, São Desidério, Santa Rita de Cássia e Formosa), os visitantes puderam votar em quatro animais: o tamanduá-bandeira, o lobo-guará, a arara-canindé e a ema, todas espécies ameaçadas de extinção. A arara-canindé foi a vencedora, com 245 votos. O lobo-guará recebeu 114 votos, o tamanduá-bandeira, 97 votos, e a ema, 70 votos.

As quatro espécies que concorriam foram previamente escolhidas pela equipe de especialistas em biodiversidade das organizações realizadoras do concurso, e a exposição apresentava 30 painéis fotográficos clicados sob a supervisão do fotógrafo Adriano Gambarini, durante uma oficina que durou cinco dias. Nesse período, foram percorridos 900 km nos municípios de Barreiras, Luis Eduardo Magalhães, Formosa, Santa Rita e São Desidério, para registrar cenas da natureza e da vida social, passando por cinco comunidades tradicionais (Assentamento Rio de Ondas, Peixe, São Marcelo, Cacimbinha e Vereda do Gado), além de unidades de conservação.

Os 30 painéis foram escolhidos entre mais de sete mil fotos, e puderam ser vistos por cerca de 6 mil pessoas durante a exposição itinerante.
“Esse projeto foi muito importante para valorizar a fauna e a flora do Cerrado para a população local, que se constitui basicamente de pessoas que vieram de outros estados, como Rio Grande do Sul e Paraná, durante a recente expansão da fronteira agrícola na região”, afirma Valmir Ortega, diretor do programa Cerrado-Pantanal da CI-Brasil.

Foram promovidos sorteios ao final do concurso. Na Mata Atlântica, a internauta Maria Lima Vital, de Recife (PE), foi sorteada e ganhou o livro ‘Hotspots Revisitados’, que contém uma análise detalhada das 34 regiões, com dados sobre a diversidade dos grupos de flora e fauna, as espécies-bandeira, as ameaças e ações de conservação em andamento. “Fiquei muito feliz de saber que fui sorteada, é bom fazer parte da criação de um símbolo da Mata Atlântica, da preservação e da perseverança”, afirmou Maria.

No corredor do Cerrado, a sorteada foi Laretysa Rocha Dias, que ganhou um pôster do animal vencedor, a arara-canindé.

Conheça mais sobre as espécies que participaram da votação:

Corredor da Mata Atlântica do Nordeste

O macaco-galego ou macaco-prego-galego (Cebus flavius) ocorre na zona da mata ao norte do rio São Francisco, numa área restrita à Mata Atlântica Nordestina nos estados de Alagoas, Paraíba e Pernambuco. Essa espécie permaneceu um mistério para a ciência por séculos, até a publicação do artigo científico com a sua redescoberta, em julho de 2006. Até o momento foram encontradas oito populações do macaco, com estimativa total da população de 180 indivíduos. O tamanho habitual dos grupos é de 18 indivíduos com número maior de fêmeas do que de machos. Os macacos-prego são quadrúpedes arbóreos (que se deslocam sobre quatro pés pelas árvores), que são normalmente encontrados na parte inferior de dosséis e sub-bosques. Alimentam-se de uma grande variedade de frutos, sementes, insetos e artrópodes (aranhas), sapos, filhotes e até pequenos mamíferos. A alimentação é completada por caules, flores e folhas. Entre as principais ameaças que sofrem estão a caça para alimento e para animais de estimação e perda e fragmentação de hábitat, principalmente por causa do desenvolvimento costeiro e da expansão da cana-de-açúcar. Pesquisas ainda são necessárias para estabelecer as preferências de hábitat, para conhecer áreas de ocupação e os números de população.
                                                                      
O pintor-verdadeiro (Tangara fastuosa) distribui-se entre os estados do Rio Grande do Norte e Alagoas, e é uma das mais belas espécies de aves brasileiras, endêmica do Centro Pernambuco, ocorrendo apenas na Mata Atlântica nordestina, ao norte do rio São Francisco, entre os Estados do Rio Grande do Norte e Alagoas. Alimenta-se essencialmente de frutas, aparentemente prefere áreas ricas em Melastomataceae (da família da Quaresmeira), e também de pequenos artrópodes (como aranhas). Frequenta bandos mistos, podendo também ser visto em grupos ou pares. Pouco se conhece sobre o seu comportamento reprodutivo, sendo reportados ninhos construídos em bromélias, no mês de janeiro. Frequenta tanto o interior quanto a borda das florestas, sejam primárias ou secundárias, e parece tolerar um certo grau de perturbação em seu ambiente. A brutal perda de hábitat – só restam cerca de 2% de seu hábitat original – e a intensa captura para o mercado ilegal de aves silvestres são suas principais ameaças. Atualmente é encontrado no Parque Estadual (PE) Dunas de Natal e PE Mata do Pau Ferro, RN; RPPN Frei Caneca, Reserva Ecológica Brejo dos Cavalos, EE Charles Darwin, REBIO de Saltinho e Reserva Estadual do Gurjaú (PE); EE de Murici e REBIO de Pedra Talhada (AL).

O limpa-folha-do-nordeste (Philydor novaesi) é endêmico do Nordeste do Brasil, só ocorre ali e em nenhum outro lugar do mundo. Distribui-se entre os estados de Pernambuco e Alagoas. Hoje só se encontra na Estação Ecológica de Murici, em Alagoas, e Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Frei Caneca, em Pernambuco. Ela é considerada uma das aves mais ameaçadas da região neotropical. Possui uma coloração vermelho-tijolo-escura. A espécie alimenta-se de insetos e artrópodes (como aranhas) capturados na copa das árvores, em troncos e folhas secas enroladas de bromélia. Formam bandos mistos compostos por espécies que vivem nas copas e extratos mais altos da floresta. A falta de informação recente sobre a presença da espécie na Estação Ecológica de Murici, em Alagoas (localidade tipo) é preocupante. Na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Frei Caneca, em Pernambuco a ave é vista com relativa frequência, tanto solitária como em bandos com várias outras espécies. A destruição/alteração de hábitats e desmatamento são as ameaças mais sérias à conservação da espécie.
 

Corredor Jalapão-Oeste da Bahia

A arara-canindé ou arara-de-barriga-amarela (Ara ararauna) é uma arara que ocorre da América Central ao Brasil, à Bolívia e Paraguai. Tal espécie chega a medir até 90 cm de comprimento, com partes superiores azuis e inferiores amarelas e o alto da cabeça verde.  As araras-canindé na natureza se alimentam de frutos e castanhas. Essas aves estão sempre em grupo e são aves barulhentas. Uma vez que formam casal, não mais se separam. A fêmea bota  cerca de 3 ovos que chocam entre 27 e 29 dias. A arara-canindé enfrenta vários problemas em relação à extinção, sofrendo ameaças principalmente pelo contrabando e pelo comércio ilegal de aves. Em cativeiro, vive aproximadamente 60 anos.


O lobo-guará, nome derivado do tupi agoa'rá, "pêlo de penugem" (Chrysocyon brachyurus) é o maior canídeo nativo da América do Sul. A sua distribuição geográfica estende-se pelo sul do Brasil, Paraguai, Peru e Bolívia a leste dos Andes, estando extinto no Uruguai e talvez na Argentina, e é considerado uma espécie ameaçada. O Brasil abriga o maior número de animais; dos cerca de 25 mil indivíduos da espécie, cerca de 22.000 estão em território brasileiro. Os biomas de sua ocorrência no Brasil são: Cerrado, Pantanal, Campos do Sul, parte da Caatinga e Mata Atlântica. O lobo-guará mede cerca de 1 metro e pesa entre 20 e 25 kg. A sua pelagem característica é avermelhada. Ele caça preferencialmente de noite, comendo pequenos mamíferos, roedores e aves, mas também se alimenta do fruto da lobeira, que precisa do lobo-guará para se reproduzir. 

O tamanduá-bandeira, também conhecido como urso-formigueiro-gigante ou papa-formigas-gigante (Myrmecophaga tridactyla) é um mamífero encontrado nas Américas Central e do Sul, que encontra-se atualmente ameaçado de extinção. Um tamanduá-bandeira adulto pode atingir 40 kg de peso e um comprimento de 1,80 m, incluindo a cauda. Possui coloração cinza acastanhada, com uma banda preta que se estende do peito até a metade do dorso, cauda comprida e peluda, focinho longo e cilíndrico, pés anteriores com três grandes garras e pés posteriores com cinco garras pequenas. Ele alimenta-se de formigas e cupins, capturados pela língua comprida e aderente. 

A ema (Rhea americana) é considerada a maior ave brasileira. Um macho adulto pode atingir 1,70 m de comprimento e pesar até 36 kg. A envergadura pode atingir 1,50 m de comprimento. As emas apresentam plumagem do dorso marrom-acinzentada, com a parte inferior mais clara. Apesar de possuir grandes asas, não voa. Usa as asas para se equilibrar e mudar de direção na corrida. A ema é onívora, e a sua alimentação constitui-se de sementes, folhas, frutos, insetos, moluscos, lagartixas e rãs, entre outros. O macho constrói o ninho onde de três a seis fêmeas depositam seus ovos. Cada fêmea pode produzir de 10 a 30 ovos. O macho fica responsável por chocar os ovos e cuidar dos filhotes, que atingem a maturidade sexual em dois anos.

Para mais informações:

Marcele Bastos – (31) 3261-3889 – m.bastos@conservacao.org
Gabriela Michelotti - (61) 3224-2491 – g.michelotti@conservacao.org

Rua Tenente Renato César, 78 – Cidade Jardim – CEP 30380-110

Belo Horizonte – MG – Brasil – Tel.: [31] 3261.3889

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