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CI-Brasil, Biotrópicos e Criadores de Mangalarga firmam acordo

Parceria entre a Associação Brasileira dos Criadores de Cavalo Mangalarga Marchador, CI-Brasil e Instituto Biotrópicos pretende atingir 22 mil criadores de Mangalarga Marchador no país, visando à adequação de propriedades rurais à legislação ambiental

Belo Horizonte, 24 de julho de 2008

Associação Brasileira dos Criadores de Cavalo Mangalarga Marchador (ABCCMM) e as ONGs Conservação Internacional (CI-Brasil) e Instituto Biotrópicos firmaram na tarde do dia 20 de julho, durante a abertura oficial da 27ª Exposição Nacional do Mangalarga Marchador promovida pela ABCCMM em Belo Horizonte, acordo de cooperação para o desenvolvimento de ações voltadas para a conservação e a sustentabilidade ambiental de propriedades privadas localizadas na Cadeia do Espinhaço e na Serra da Mantiqueira, ambas no estado de Minas Gerais. O projeto tem como público-alvo os mais de 22 mil criadores de Mangalarga Marchador associados à ABCCMM. Ao longo dos próximos cinco anos, serão desenvolvidas ações de comunicação e de apoio técnico para a adequação de propriedades rurais à legislação ambiental e a definição de estratégias para sua certificação.

“A sustentabilidade econômica dos negócios deve estar alinhada à sustentabilidade ambiental dos mesmos”, diz Magdi Shaat, presidente da ABCCMM. Para Shaat, em longo prazo a manutenção das atividades de conservação e a gestão das propriedades irão requerer o desenvolvimento de mecanismos de compensação ou de certificação que agreguem valor aos cavalos criados em propriedades ambientalmente responsáveis. O presidente explica que um dos objetivos do projeto é criar mecanismos para certificar fazendas que além de cumprirem o Código Florestal, desenvolvam ações de conservação da biodiversidade. “Esse será um grande diferencial”, diz.

Segundo Ricardo Machado, diretor do programa Cerrado-Pantanal da CI-Brasil, há alguns protocolos de certificação de produtos, mas que abordam indiretamente a conservação da biodiversidade, como o da Rede de Agricultura Sustentável e o da Rainforest Alliance. Esses protocolos, no entanto, não explicitam aspectos relacionados à conservação de espécies endêmicas do Brasil ou das ameaçadas de extinção nas propriedades privadas e concentrando-se somente no cumprimento do Código Florestal. “Com a implantação do projeto iremos definir junto com a ABCCMM os parâmetros e firmar parcerias com instituições capacitadas para a certificação das propriedades do ponto de vista não apenas legal, mas também de conservação da biodiversidade”, afirma. Machado explica que o papel de certificar as propriedades não caberá aos três parceiros, mas sim a entidades especializadas ainda a serem definidas. “Nosso objetivo é munir os criadores de cavalos Mangalarga Marchador com informações e apoio técnico suficientes para que eles se adaptem à legislação ambiental, além de promover ações de conservação da biodiversidade para que consigam a certificação de suas propriedades”, aponta. Ele esclarece que o papel das ONGs será fornecer subsídios técnicos para que as instituições certificadoras elaborem os parâmetros para a criação da certificação de fazendas que contribuem com a conservação da biodiversidade. “Com isso, a certificação não ficará restrita apenas às propriedades que criam cavalos”, completa Machado.

Conservação em grande escala - A criação de cavalos Mangalarga Marchador gera mais de 43 mil empregos diretos e 200 mil indiretos no país e movimenta mais de R$ 2,8 bilhões por ano, principalmente nos cerca de cem eventos realizados no Brasil anualmente, desde exposições a concursos de marcha. “Com essa parceria pretendemos ganhar escala nas ações de conservação que desenvolvemos na região”, afirma Machado, ressaltando o fato de que um número expressivo de criadores está situado em áreas prioritárias para a conservação da biodiversidade do Cerrado e da Mata Atlântica.

Joaquim Silva, superintendente do Instituto Biotrópicos, ressalta que não há no Brasil recursos públicos suficientes para promover a conservação da biodiversidade. “Considerando que a maior parte das terras do Cerrado e da Mata Atlântica está em mãos de particulares, necessariamente a conservação da região requer o diálogo e o planejamento participativo entre o setor privado, o governo e a sociedade civil”, diz. Por esses motivos, explica Silva, o projeto prevê ações de comunicação para mobilizar os criadores de cavalos Mangalarga Marchador e todas as pessoas envolvidas direta ou indiretamente com a atividade.

A parceria prevê ainda a criação de um banco de dados georeferenciado com os limites das propriedades rurais e a localização das reservas legais a partir de informações fornecidas pelos associados da ABCCMM interessados em aderir ao projeto. A partir desse levantamento, ações específicas serão traçadas para adequar as propriedades à legislação ambiental. O objetivo é também fornecer orientações técnicas para a recomposição, a adoção de práticas de manejo e a preservação das reservas legais e das Áreas de Proteção Permanente (APP) nas fazendas. Além dessas ações, o projeto prevê a implantação de um programa de monitoramento da biodiversidade regional com ênfase em espécies indicadoras de qualidade ambiental e nas ameaçadas de extinção e a adoção de medidas de proteção e de manejo sustentável da biodiversidade.

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Sobre a Conservação Internacional
A Conservação Internacional (CI) foi fundada em 1987 com o objetivo de conservar o patrimônio natural do planeta - nossa biodiversidade global - e demonstrar que as sociedades humanas são capazes de viver em harmonia com a natureza. Como uma organização não-governamental global, a CI atua em mais de 40 países, em quatro continentes. A organização utiliza uma variedade de ferramentas científicas, econômicas e de conscientização ambiental, além de estratégias que ajudam na identificação de alternativas que não prejudiquem o meio ambiente.  A Conservação Internacional (CI-Brasil) tem sede em Belo Horizonte - MG. Outros escritórios estão estrategicamente localizados em Brasília-DF, Belém-PA, Campo Grande-MS, Salvador-BA e Caravelas-BA.

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