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Mais de 700 espécies ameaçadas de extinção têm habitat desprotegido

Análise de Lacunas em Conservação indica prioridades na criação de novas áreas protegidas no mundo

Durban, Africa do Sul, 11 de setembro de 2003 — A principal ameaça à maioria das espécies é a perda e a degradação do habitat natural. O estudo "Analise Global de Lacunas da Conservação", realizado pela organização não-governamental Conservação Internacional, concluiu que pelo menos 233 espécies ameaçadas de aves, 140 de mamíferos e 346 de anfíbios não desfrutam de qualquer tipo de proteção em suas áreas de ocorrência. Alem disso, muitas áreas de proteção são tão pequenas que acabam sendo ineficientes na conservação de espécies. Dessa forma, outras 943 espécies podem ser consideradas em situação de alto risco. Sem a expansão imediata e estratégica do sistema de áreas protegidas, os cientistas prevêem uma maciça onda de extinções nas próximas décadas. A Análise de Lacunas mostra como a rede de áreas protegidas existente hoje em todo o mundo favorece ou desfavorece a conservação das espécies ameaçadas. Para cobrir uma vasta área de estudo, colaboraram com a Conservação Internacional milhares de cientistas e dezenas de instituições, com destaque para a União pela Conservação da Natureza (IUCN) e sua Comissão Mundial de Áreas Protegidas (IUCN/WCPA). Para realizar a análise os cientistas sobrepuseram os mapas de todas as unidades de conservação do mundo aos mapas de ocorrência de mais de 11.000 espécies ameaçadas de três grupos da fauna: aves, mamíferos e anfíbios. A tecnologia de Sistemas de Informações Geográficas (SIG) foi fundamental na elaboração deste trabalho. "Esta análise mostra claramente a existência de severas lacunas no sistema de áreas protegidas", diz Gustavo Fonseca, vice-presidente executivo para Programas e Ciências da Conservação Internacional. "Com a identificação das áreas que demandam ações e proteção urgente, nós ainda temos a chance de salvar a maioria dessas espécies". Dois critérios-chave foram utilizados na composição do estudo: o de "áreas insubstituíveis" e o de "grau de ameaça". Locais considerados insubstituíveis e com um número elevado de espécies ameaçadas foram identificados como sendo as prioridades mais urgentes. As florestas tropicais e as ilhas são as paisagens que demandam ações imediatas de conservação. As ilhas compõem 5,2% da superfície terrestre e abrigam 45% de todas as espécies analisadas. Muitas delas são endêmicas, ou seja, não podem ser encontradas em qualquer outro lugar. De forma geral, a Ásia é o continente que mais necessita expandir sua rede de áreas protegidas, seguida pela América do Sul e a África, que precisam consolidar suas redes já existentes. Os mamíferos estão entre as espécies mais bem sucedidas do planeta. Durante o curso de sua evolução, apresentaram distintas formas e funções e uma grande capacidade de adaptação a diferentes climas. Mesmo assim, a maioria dos mamíferos apresentam distribuição bastante restrita, com espécies vivendo em áreas inferiores a 250.000 km2, o que corresponde aproximadamente ao território da Itália. Mais intrigante ainda e que 29% das espécies deste grupo existem apenas em áreas menores do que 50.000 km2. Das 4.734 espécies analisadas, 260 são especies-lacuna, ou seja, não tem nenhuma proteção em suas áreas de ocorrência. Dessas, 140 (54%) estão ameaçadas de extinção. Dentre elas estão o Sauá-coimbra (Calicebus coimbrai) e o Guigó (Callicebus barbarabrownae), observados mais freqüentemente na Bahia e em Sergipe. Das 5.254 espécies de anfíbios analisadas, 825 são consideradas espécies-lacuna e 346 estão ameaçadas. Enquanto das 1.183 espécies de aves mapeadas pela Birdlife International, 223 podem ser consideradas espécies-lacuna. A Mata Atlântica foi identificada pela Análise de Lacunas como um dos biomas que mais necessita consolidar sua rede de áreas protegidas. Com a revisão da Lista da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, ficou evidente que o bioma abriga o maior número de espécies ameaçadas do país (70%). A Análise de Lacunas também mostrou que adicionando uma pequena porção de terra ao sistema de áreas protegidas, um número desproporcional de espécies poderia estar sob proteção. "O estudo deve ser recebido como um importante instrumento de orientação para a priorização de recursos para conservação dos recursos naturais, mas não deve ser tomado como uma análise conclusiva", diz Ana Rodrigues, pesquisadora do CABS da Conservação Internacional. "Estudos mais detalhados usando dados de instituições locais podem revelar inúmeras áreas e espécies adicionais que necessitam de proteção urgente". O estudo completo pode ser obtido no www.conservation.org # # # A Conservação International (CI) foi fundada em 1987 com o objetivo de conservar o patrimônio natural do planeta - nossa biodiversidade global - e demonstrar que as sociedades humanas são capazes de viver em harmonia com a natureza. Como uma organização não-governamental global, a CI atua em mais de 30 países, em quatro continentes. A organização utiliza uma variedade de ferramentas científicas, econômicas e de conscientização ambiental, além de estratégias que ajudam na identificação de alternativas que não prejudiquem o meio ambiente. A CI-Brasil tem sede em Belo Horizonte-MG. Outros escritórios estão estrategicamente localizados em Brasília-DF, Belém-PA, Campo Grande-MS, Caravelas-BA e Mineiros-GO. Para mais informações sobre os programas da CI no Brasil, visite www.conservation.org.br # # # Fotos, mapas e entrevistas disponíveis na CI-Brasil

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